quinta-feira, janeiro 11, 2007

"TROVA DO VENTO QUE PASSA"

O assunto de Pepe ter nacionalidade portuguesa tem feito correr alguma tinta e anda a gerar controvérsia. E não é para menos. Antes de mais quero dizer que gosto muito do Pepe e do Deco( e tenho uma predilecção asolapada pelo Capucho que é um verdadeiro "monumento nacional", mas isso são outras histórias). São jogadores fora de série que fazem falta à selecção de qualquer país (apesar do seleccionador brasileiro se fazer de esquisito...) e dá gosto vê-los jogar. Uma mais valia para a nossa selecção? sem dúvida...Então qual o problema? Patriotismo, claro! Não nosso, mas o deles. Longe vão os tempos em que jogar na selecção ou num clube era uma questão de amor à camisola e uma questão de patriotismo e regionalismo ferrenho. Apesar de alguns contras que possam ser apontados nesta "ferrenhice" é triste agora saber que o amor à camisola não é mais que o amor ao dinheiro, progresso na carreira e projecção mediática que a camisola proporciona. Na selecção talvez haja um espirito maior de unidade e país, mas é pouco...Por isso os motivos que levam estes jogadores a terem mais uma nacionalidade ferem-me na minha essencia tourina de defesa das minhas raízes bem vincadas na terra que me viu nascer. Fico contente por escolherem Portugal e são bem-vindos, mas há algo de profundamente perversivo nestas trocas e adições. Porque não se escolhe o lugar onde se nasce, pode-se amar ou odiá-lo, tentar triunfar e lutar por ele ou abandoná-lo e esquecê-lo à sua sorte. Mas será acaso do destino o lugar onde se nasce? E isto podia remeter-me a portugueses muito pouco interessados em Portugal, que andam a dizer que "o país está de tanga" mas muito pouco fazem para o porem de , vá lá, mini-saia. Podia igualmente remeter-me à minha paixão carnal, visceral, entranhada, fervorosa, espiritual, religiosa pelo Porto que me viu nascer, mas o Rui Veloso já a cantou melhor. Se acho que as duplas nacionalidades deviam ser impedidas? Não, não acho! Acima de tudo o livre arbítrio. Se querem ser portugueses , deixem-nos ser portugueses e acarinhem-nos como um dos nossos, são da nossa equipa. Mas se eu fosse brasileira estaria neste momento profundamente triste...

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