sexta-feira, maio 30, 2008

Opiário

Esta semana a GNR descobriu dez mil (este pormenor quantitativo é já de si assombroso) papoilas do ópio no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Vai ser um verdadeiro ficheiro secreto para a GNR descobrir se houve ou não mão criminosa no ocorrido e se alguém utilizou as ditas cujas para tal qual inspector Abberline ter insights sobre quem seria Jack o Estripador. Mas eu fiquei feliz por constatar os conhecimentos botânicos dos nossos agentes policiais que, além de terem suspeitado das inocentes plantitas, sabem também dar explicações para o crescimento das plantas no local, com base num incendio no Verão do ano passado que tornou o solo mais fértil. Eles sabem mesmo destas coisas!!E estão atentos à vegetação! Mais me espantou a receita que o JN aproveitou para publicar sobre como produzir ópio e como produzir heroina. Longe de mim pensar que isso possa ser um incentivo a uma qualquer mente toxicodependente até agora restringida desta informação. Bem a propósito da ocasião apetece-me deixar aqui uma música, uma das mais belas do Rui Veloso- Logo que passe a monção- para salientar "ópio maldito ópio" e desencorajar-vos a dedicarem-se ao plantio da papoila e darem que fazer à GNR.

Logo que passe a monção

"Num banco de névoas calmas quero ficar enterrado
Num casebre de bambú na minha esteira deitado
A fumar um narguilé até que passe a monção
Enquanto a chuva derrama a sua triste canção

Sei que tenho de partir logo que suba a maré
Mas até ela subir volto a encher o narguilé
Meu capitão já é hora de partir e levantar ferro
Não me quero ir embora diga que foi ao meu enterro

Deixem-me ficar deitado a ouvir a chuva a cair
Que ainda estou acordado só tenho a alma a dormir
Como a folha de bambú a deslizar na corrente
Apenas presa ao mundo por um fio de água morrente

Nos arrozais morre a chuva noutra água há-de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para quê ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão

Ópio bendito ópio minhas feridas mitiguei
Meu bálsamo para a dor de ser
Em ti me embalsamei
Ópio maldito ópio foi para isto que cheguei
Uma pausa no caminho
Numa névoa me tornei"



terça-feira, maio 27, 2008

X-Files 2: I Want To Believe Trailer

Por cá só a 7 de Agosto...a espera só aumenta o apetite eheh :)

terça-feira, maio 06, 2008

Hipnose regressiva-Missão impossível e Charles Bronson

Te ne nee, te ne nee, te nee, te ne...(experimentem cantar o genérico todo com có có róo, coisas da minha praxe). Como alguns saberão Missão Impossível é uma das minhas séries televisivas favoritas de todos os tempos, logo atrás dos Ficheiros Secretos e a par com Espaço 1999, A Bela e o Monstro, Crime, disse ela e Manimal e antes de Pretender e Dr House. Mas sosseguem porque eu não vou falar da série. Mas era imperioso referí-la porque quando me lembro da Missão Impossível lembro-me dos filmes de Charles Bronson. Enlouqueceu de vez, estarão muitos a pensar, mas eu explico. Sextas-feiras dos anos 80 e era imperdível ver o episódio da semana da Missão na RTP2. Com 8 anos preferia ficar sozinha em casa, mas mesmo assim não perder pitada. Sempre...com uma excepção. Havia um mês no ano em que perdia 2 ou 3 episódios de bom grado e esse mês era o das comemorações da Associação Recreativa(nem digo onde), onde passavam às sextas filmes do Charles Bronson. E assim, lá ia eu pela mão do meu pai ver a sessão de cinema ao Centro (nome pelo qual é mais conhecida a associação por se localizar no centro da terriola, pois claro...). Naquele tempo ainda não havia a nova lei do tabaco e por isso das 10h às 12h da noite ficávamos a ver o filme depois da ingestão dos chupa-chupas, das pastilhas elásticas e durante a ingestão metódica e vagarosa do gelado, rodeados por um manto de fumo de cigarro tépido enquanto o Charles Bronson dava coça aos mauzões da fita e as cadeiras de metal nos causavam um desconforto pouco preocupado. Agora que penso nisso nos 80s tivemos uma educação muito liberal, ninguém se importava que miudos de 8 anos e mais novos estivessemos a inalar carradas de fumo e que vissemos filmes de porrada em que os actores surgiam numa espécie de neblina tabagística. A nossa única restrição na verdade era pedir mais que um gelado durante o filme e ir à sala de bilhares e sueca (mistérios da minha infância). Na verdade não me consigo lembrar de nenhuma boa razão para trocar Missão Impossível por isso mas é esse o poder do tempo, tornar o passado mágico...
Frase da semana

"Quando se elimina tudo o que é impossível, o que resta, por mais inverosímel que pareça, é a verdade" Zurdo e Gutiérrez
Back from outta space

Eles voltam em Julho (x-files quem é que havia de ser?), eu volto mais cedo depois desta ausência prolongada devido a motivos de força maior (não estava praí virada). Mas parece-me que os augúrios que o vento de Maio trás são bons...pena eu não saber ler o vento...adiante...Nada me chocou nos últimos tempos porque estamos no planeta Terra e há que gerir ansiedades e espantos de maior por forma a usufruir durante bastantes anos das magras reformas e pensões (que é como quem diz evitar mijar a rir ou a chorar de cada vez que se vê o telejornal por forma a viver mais uns anitos). Sendo assim nada há de melhor que o refúgio na ficção cinematográfica e literária e por isso tenho assistido a cerca de dois filmes por dia, excepto quando vou ao cinema, porque aí são cerca de 3, tenho lido Joanne Harris e deixei de ler jornais e ver o telejornal. Assim continuo culta, mas numa espécie de alienação preventiva de insuficiências cardíacas e derrames cerebrais. E a intervenção e tal? perguntarão os mais revolucionários. As minhas revolucções sinápticas já me dão que fazer mas pelo sim pelo não (e por princípio) tenho-me mantido longe da vida alheia e feito a minha busca seleccionada de informação nas áreas em que posso de facto intervir(ainda acredito que se pode fazer diferença positiva). Eu sei, eu sei "you can't start a fire without a spark", mas este post é uma espécie de ignição precoce(sem erros de escrita...) para a ebulição que aí vem...Temam quando eu voltar a ler O Progresso de Gondomar em vez de livros sobre agricultores que fazem vinhos mágicos com fruta numa paisagem bucólica de uma Inglaterra desconhecida. E mais não digo...